poemas de s. paulo

as pontes de belgrado
para @viviangressana e @andrecastcovil

a caixa de som explodia
mais áspera que uma bomba
e quando os helicópteros chegavam
era a lixa que a gente ouvia
nas incontestáveis pontes de belgrado
o som do céu arranhava menor que o das caixas
de som a gente dançava e vivia
esquecendo que a nossa guerra
nunca morria

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(sem título)

me prendeu foi seu cheiro
fragrância: arrogância
uma humildade desinflacionanda por
sedutores desprezos ponderados por
esparsas intervenções pertinentes

o indivíduo com o indivíduo
um date mortífero

quando mais tarde no meu quarto
o bofe me prendeu num
mata-leão
eu tive que rir com deboche
e gozar

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(sem título)

em mim jaz a norma de mim
signatário de auto-poderes
atribuídos desde datas ocultas
mas a norma, de mim,
tem estranhamente minha idade
e a cada dia persistente
o meu antismo se propaga:
sonho com quartos girátorios
espaços em revolução
onde um casal de heróis se beija se embriaga
se ama
e quando decido entrar pro ménage
a norma fica tonta e o antismo
em frisson
o casal de heróis me segura tipo pré-desmaio
olham nos meus olhos e confessam
também desconhecerem, eles,
a real (a irrelevante)
origem da tontura

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